31/08/26

Cidades médias ganham protagonismo no crescimento populacional brasileiro

A dinâmica de crescimento da população brasileira evidencia o avanço contínuo das cidades médias, que vêm ampliando sua participação no crescimento populacional do país. Esse movimento já foi identificado pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) no Índice de Financiamento e Equidade Municipal (IFEM), que mostra como a concentração populacional tem avançado justamente nos municípios de médio porte.

Segundo as Estimativas da População 2026, divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes foram os que mais apresentaram crescimento superior a 1% entre 2025 e 2026. 

No período, a população brasileira chegou a 214,2 milhões de habitantes, com crescimento de 0,37%, abaixo dos 0,39% registrados entre 2024 e 2025. Apesar da desaceleração nacional, o movimento não ocorre de forma homogênea entre as cidades.

Segundo o IBGE, os 15 municípios mais populosos concentram 42,9 milhões de pessoas, aproximadamente 20% da população brasileira, enquanto as 27 capitais reúnem 49,4 milhões de habitantes (23,1%).  

Por outro lado, os dados mostram que dos municípios com até 20 mil habitantes, 40,2% registraram redução populacional entre 2025 e 2026. O cenário evidencia que as cidades brasileiras enfrentam desafios distintos de acordo com sua dinâmica demográfica.  

Dinheiro na contramão da população

Dados do IFEM acrescentam outra dimensão a esse cenário: a capacidade dos municípios de responder às necessidades de uma população cada vez mais concentrada em determinados territórios. A ferramenta, baseada em dados do Siconfi/Tesouro Nacional, mostra que, em 2000, os 20% dos municípios com menor receita corrente por habitante concentravam 39,6 milhões de pessoas. Em 2025, esse contingente chegou a 93 milhões.

No sentido oposto, os 20% dos municípios com maior receita corrente por habitante viram sua população cair de 42,8 milhões para 12,9 milhões no mesmo período.

A combinação dos dados reforça um descompasso crescente entre população e capacidade de financiamento e corroboram as estimativas do IBGE. Enquanto cidades médias e grandes recebem moradores e ampliam suas responsabilidades na oferta de serviços e na articulação regional, os recursos por habitante não acompanham, na mesma proporção, essa nova distribuição demográfica.

Além das capitais

Das 15 cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes, apenas Manaus/AM cresceu acima de 1% entre 2025 e 2026, com alta de 1,01%. Fora das capitais, também se destacam municípios com mais de 500 mil habitantes, como Campinas/SP, Guarulhos/SP, Uberlândia/MG, Sorocaba/SP, Ribeirão Preto/SP, Joinville/SC, Feira de Santana/BA e Londrina/PR.

Em alguns estados, municípios que não são capitais já concentram populações superiores às de suas respectivas capitais. No Espírito Santo, Serra, com 586,9 mil habitantes, supera Vitória, com 343,9 mil. Em Santa Catarina, Joinville, com 674 mil moradores, também ultrapassa Florianópolis, com 598,4 mil.

Esse movimento evidencia que a dinâmica urbana brasileira mudou. Regiões metropolitanas assumem peso crescente na oferta de serviços, geração de empregos e organização regional, o que reforça a necessidade de políticas públicas e mecanismos de financiamento compatíveis com essa nova distribuição da população.

 

 

 

Última modificação em Segunda, 31 de Agosto de 2026, 18:23
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