As mudanças climáticas têm tornado as ondas de calor mais frequentes e intensas, ampliando os impactos sobre a saúde da população e impondo novos desafios para a gestão pública. Para discutir estratégias de prevenção, preparação e resposta a esse cenário, a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), a Prefeitura de Campinas e o WRI Brasil realizaram, nesta terça (25), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas/SP, o evento ‘Calor Extremo e Saúde: Evidências, Impactos e Respostas dos Municípios Brasileiros’.
Dário Saadi, prefeito de Campinas/SP e presidente da Comissão de Saúde da FNP, destacou que a iniciativa é fundamental para preparar as administrações municipais para os desafios impostos pelo novo regime climático. “É um evento que une universidade, academia, especialistas e professores com gestores públicos que têm que lidar com a urgência das mudanças climáticas e a urgência maior nesse momento, que é o El Niño, com previsão de ser muito impactante”, afirmou.
Silvio Barros, prefeito de Maringá/PR e presidente da Comissão de Adaptação, Mitigação e Prevenção de Desastres (CAMP), ressaltou o papel das universidades na construção de respostas para os desafios enfrentados pelas cidades. “Fazendo esse debate aqui na universidade nós temos a possibilidade de construir uma ponte extremamente importante e produtiva dos dois lados. A academia e o poder público se reúnem para solucionar problemas da população”, afirmou.
Calor extremo e atuação integrada
Os participantes debateram os impactos do calor extremo sobre a saúde, com destaque para as populações mais vulneráveis, os fatores que podem agravar os efeitos das altas temperaturas, as medidas de prevenção e proteção e os desafios impostos ao sistema de saúde.
Alberto Diniz, gerente de Dados e Desenvolvimento de Ferramentas do C40 Cities, apresentou o Heat Insight Tools, uma ferramenta digital desenvolvida em parceria entre o C40 e a IBM. Com uso de inteligência artificial, a plataforma busca mapear os riscos relacionados ao calor nas cidades brasileiras, oferecendo dados e informações que podem apoiar gestores públicos na identificação de áreas mais vulneráveis e no planejamento de ações de adaptação às altas temperaturas.
Agnes Soares, do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde, reforçou que a resposta aos impactos climáticos depende da integração entre diferentes áreas do poder público e destacou a urgência das ações de preparação dos municípios.
“É impossível resolver todos os problemas ambientais sem ter uma coordenação bem articulada e intersetorial. O calor afeta a saúde, o excesso de calor aumenta o número de atendimentos e isso sobrecarrega o sistema”, explicou.
Para o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Adalberto Maluf, o enfrentamento do calor extremo precisa envolver diferentes setores da administração pública. “Calor é uma agenda transversal e ninguém melhor que os prefeitos para coordenar isso”, afirmou.
Municípios no centro da resposta climática
O reitor da Unicamp, Paulo Montagner, também ressaltou que os municípios estão no centro da resposta aos impactos climáticos, enquanto as universidades têm papel fundamental na produção de conhecimento e na formação de profissionais. “É nas cidades que grande parte desses impactos se manifestam. São as administrações municipais que precisam organizar respostas na saúde, na defesa civil, no planejamento urbano e em tantas outras áreas da gestão pública”. O reitor também citou como exemplo de integração entre ciência e gestão pública a parceria para aquisição de um radar meteorológico do CEPAGRI, que poderá apoiar as defesas civis dos municípios da Região Metropolitana de Campinas.
Também participaram representantes dos municípios Araraquara/SP, Salvador/BA, Nova Lima/MG, Valinhos/SP, Pinhalzinho/SP, Jundiaí/SP, Itatiba/SP Hortolândia/SP, Belo Horizonte/SP, Rio Claro/SP, Santo André/SP, Americana/SP, Betim/MG, Guarulhos/SP, Santa Bárbara D'Óeste/SP, Sorocaba/SP, Osasco/SP, São José dos Campos/SP, Limeira/SP, Mogimirim/SP, Sumaré/SP e Santos/SP.
Visitas técnicas
No período da tarde, os participantes realizam visitas técnicas a iniciativas de Campinas relacionadas à adaptação climática, monitoramento e sustentabilidade. A programação incluiu o Radar Meteorológico do CEPAGRI, uma microfloresta em Barão Geraldo, a Estação Produtora de Água de Reúso (EPAR) Boa Vista e a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Mata de Santa Genebra.