Imprimir esta página
17/05/21

Prefeitos debatem o transporte público na pandemia durante Summit Mobilidade Urbana 2021

Evento virtual reuniu os prefeitos Edvaldo Nogueira e Eduardo Paes para falar sobre a crise no setor

Os prefeitos Edvaldo Nogueira (Aracaju/SE) e Eduardo Paes (Rio de Janeiro/RJ) participaram, nesta segunda-feira, 17, de um debate virtual dentro do Summit Mobilidade Urbana 2021 – Transição para uma nova cidade, promovido pelo Estadão. Dentro do painel “Tendências em mobilidade no mundo e no Brasil – o que fazer para ajudar o transporte público”, Nogueira, presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), e Paes, vice-presidente da entidade, discutiram a situação do transporte coletivo nos municípios durante a pandemia.

Edvaldo Nogueira destacou que o sistema de transporte público vem sendo um desafio mesmo antes da pandemia. “As prefeituras não aguentam subsidiar o transporte coletivo. O país precisa repensar a federação. É uma federação às avessas, em que os municípios ficam responsáveis por todos os serviços e ficam com apenas com 16% das receitas do país. O pacto federativo precisa ser revisto”, declarou.

O presidente da FNP voltou a criticar o financiamento do setor no Brasil, afirmando que “o sistema de transporte urbano foi impactado porque foi planejado para que a lucratividade fosse baseada no maior número de passageiros rodando. Criamos um sistema que funciona bem quando os transportes estão lotados, porque maior será a rentabilidade.”

Ele lembrou, ainda, que a FNP trabalhou para aprovar o PL 3364/2020, que previa um auxílio emergencial de R$ 4 bilhões para o setor. O projeto foi vetado pelo governo federal. “Essa verba poderia ter ajudado, mas foi vetada integralmente pelo Executivo Federal”, reforçou Nogueira. Entre as soluções apresentadas pelo prefeito de Aracaju para melhorar o sistema, estão mais tecnologia e sustentabilidade e integração entre os meios de transporte. “É preciso tomar medidas para nos prepararmos para o futuro.”

Já o prefeito do Rio disse que é preciso olhar para o sistema de mobilidade urbana pensando no pós-pandemia. “Essa situação não vai ser para sempre. Óbvio que a gente vive um momento muito diferente e o grande desafio vai ser essa visão mais ampla do planejamento urbano.” Eduardo Paes também defendeu uma maior integração entre os meios de transporte, a exemplo do que ocorre em países da Europa. “É preciso conectar mais as cidades. Diminuir o deslocamento entre trabalho e casa pode ser uma solução”, apostou.

O painel “Tendências em mobilidade no mundo e no Brasil – o que fazer pata ajudar o transporte público” também contou com a presença do secretário de Transportes Metropolitanos de SP, Alexandre Baldy; do coordenador de Mobilidade Urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Calábria; e do consultor em Mobilidade Urbana e ex-secretário de Mobilidade e Transportes de SP Sergio Avelleda.

Números
Segundo dados de 2020 da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), os serviços oferecidos pelos ônibus urbanos correspondem a 85,7% dos deslocamentos de pessoas no transporte urbano no país. No início da crise sanitária, a demanda de transporte chegou a cair 80%. Em fevereiro deste ano, a redução média foi de 40,8%, de acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU 2021).

Redator: Jalila ArabiEditor: Livia Palmieri
Última modificação em Terça, 18 de Mai de 2021, 14:57